Quando se poderia pensar que no final do primeiro volume as coisas iriam dar a volta, e que se ia sentir um ambiente mais apaziguador, ou eventualmente a chegada da filha para acalmar as coisas… não.
Dito em tom de
gíria, “ A coisa adensa-se”…
Se haveria um resto
de esperança que Earl Tubb pudesse ter sobrevivido ao forte ataque de que foi
alvo, essa esperança desaparece rapidamente. E, se esperança também houvesse
com a vinda da filha para se tentar ver uma possível resolução para os
problemas de Craw County…. Também isso não acontece.
Encontramos neste
volume uma extensa narrativa de presente e passado sobre a vida de Euless Boss,
muito bem conseguida, mais uma vez, por Jason Aaron.
Responsável pela
morte de Earl Tubb, Coach Boss apresenta grande naturalidade pelo seu feito.
Dando até a entender que as pessoas deveriam saber que foi ele, acreditando que
se tornará mais temível e respeitável pelas pessoas.Ao longo deste álbum vamos poder perceber um pouco melhor o que leva este treinador a ter esta atitude e maneira de ser, evidentemente é uma criança marcada pelos maus tratos de seu pai. Criança essa, que não consegue perceber, nem de perto, nem de longe, o significado de infância, afecto, carinho ou educação. Como se não bastasse, sente também a forte aversão do seu treinador de futebol, que o marca, mas que acaba por trazer ao de cima a sua força e vontade de lutar pela sua paixão que acaba por se tornar o farol e fio condutor ao longo da sua vida.
Somos confrontados
com violentas cenas, que nem se podem chamar cenas familiares, mas sim,
macabras cenas entre familiares. Neste caso, Pai e Filho. Convívio em
ambientes degradantes, boémios, decadentes e moralmente inaceitáveis, bem como
os maus tratos de que é vitima. Acaba por chegar à fala com alguém que o irá
ajudar a dar a volta e adquirir o cocktail explosivo que fará dele um
verdadeiro jogador de futebol. O Velho Big. A paixão pelo futebol aumenta da
mesma forma que o ódio pelo seu Pai e pelas atitudes e decadência que a vida dele vai levando. O
odio é tal que leva Euless a fazer algo que irá mudar tudo para sempre, criando
assim a imunidade moral para os seus actos ao longo da sua vida.O desenho de Jason Latour tem um bom ritmo, variação e equilíbrio das vinhetas, das páginas inteiras e um momento de, meia dupla pagina bem conseguido. Articula bem as verticalidades e horizontalidades que ajuda no ritmo e dança visual. A cor tem um jogo interessante e demarca bem os momentos de passado e presente. Trás alguns momentos de memória do primeiro álbum que nos ajudam a não esquecer e dar uma continuidade à serie como o caso do cão que aparece na primeira página do vol. 1 e volta a aparecer por duas vezes na pagina 25 deste vol. 2.
No final deste volume, a série revela muito mais motivos para se querer acompanhar e perceber o que mais irá acontecer deixando muita coisa em aberto, e muito haverá para se perceber e desenrolar.
Continua um bom trabalho de encadernação e bom papel.
Southern Bastards, Vol. 2 – Sangue e Suor, mais um excelente trabalho de edição e distribuição com o selo G.Floy.





















