
Sul de França 1943, Cambeyrac, Aveyron. Pequena vila onde a
guerra quase não chega. Onde tudo acontece de forma calma, quase metódica e
ritual.
Julien regressa,
discreto, silencioso e cansado. Vem fugido da guerra ao encontro da paz e do calor
da casa de Angèle, sua tia.
Angèle é o seu porto de abrigo.Com receio de ser apanhado por uma rusga, Julien esconde-se na velha casa de Thomassin, antigo professor primário.
Encontra tudo o que
vai precisando para ter as comodidades e privilégios que um desertor
ambiciona...
Uma cama, livros, boas refeições preparadas pela tia, antigas
recordações do professor, aquecimento.. (gentilmente preparado pela tia, sob o
pretexto de dar aulas a alguns menos estudiosos, que precisavam de apoio adicional durante as férias do Natal. E assim estava disfarçado o fumo da
chaminé que saia pela mesma coluna...) E não menos importante, não mesmo,
conseguiu logo fazer um amigo.... Maginot!!
A velha casa tinha
vista para o largo da vila, onde se encontrava o Café das Tílias..Daquelas persianas fechadas Julien Sarlat tudo observava, pois tudo acontecia naquele largo.
Ao fugir, Julien perdeu sua carteira, mais tarde encontrada após um bombardeamento ao comboio onde seguia.
Ao ser encontrada, estava a ser dado como morto. Viu o seu funeral!!
O ritual da vila era o seu dia-a-dia. Até que certo dia o Café das Tílias irradia um brilho diferente.
É Cécile.
O grande amor de Julien que ele imaginava longe.
Era ela.
Aos seus olhos mais bonita que sempre. Cécile sabia-o morto. Ele, observa-a de dia no café, e à noite, em casa, no quarto, na cama... Conhece cada curva do seu corpo. Sem o saber torna-se a sua mais lassa cortesã.
Diariamente Julien acompanha todos os seus passos, encontros e rituais....
Os dias passam e os acontecimentos sucedem-se, e é na noite de passagem de ano que Julien adormece num celeiro perto da casa da avó de Cécile.. Quando pensa que 1944 estava a ser o início de um mau ano.... É a manhã seguinte que trás a resposta....
É Cécile que o encontra!!!! O espanto, a surpresa!! Julien não está morto, está ali, em frente a ela.... Mas, doente..
O reencontro desperta tudo o resto.. Vivem momentos intensos.
Cécile parte para Paris. Cada carta que Julien recebe é lida vezes sem conta. São tempos de saudade.. Ela regressa no verão. Volta a partir.
Julien consegue documentos e parte para junto dela.
Apanha o comboio.... Mas não chega!!!.... Destino Adiado....
O traço, a cor, os cenários o argumento, são misturados de uma forma que dá a toda a obra uma harmonia maravilhosa.
Pormenores marcantes. Pormenores de desenho, pormenores de argumento... Um conjunto maravilhoso, aliás muito ao estilo de Gibrat.
Destino Adiado é uma obra que deixa marca. Entramos facilmente no dia-a-dia de Julien. Percebemos Julien e queremos que Julien tenha o que deseja. Destino Adiado cativa pela forma como a história cresce. Há sempre mais alguma coisa que acontece. Tal e qual os nossos dias! Tal e qual as nossas histórias. Tal qual as nossas vidas.
A cor é deslumbrante, a luz do verão, das paisagens, o negro do inverno, a neve.. As expressões dos personagens têm vida, transmitem emoções só por si.
Quase sentimos o cheiro e a frescura das trepadeiras ao longo das paredes da vila. O agradável odor do campo, o verde nas montanhas, o azul dos rios e lagos..
O desenho tem movimento e equilíbrio. Cada vinheta parece um quadro e cada prancha uma galeria de arte.
Destino Adiado... Não
é certamente obra para adiar a leitura.







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