sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Southern Bastards – Vol.2 – Sangue e Suor

 
   Vai de mal… a pior…. 
   Quando se poderia pensar que no final do primeiro volume as coisas iriam dar a volta, e que se ia sentir um ambiente mais apaziguador, ou eventualmente a chegada da filha para acalmar as coisas… não.
   Dito em tom de gíria, “ A coisa adensa-se”…
   Se haveria um resto de esperança que Earl Tubb pudesse ter sobrevivido ao forte ataque de que foi alvo, essa esperança desaparece rapidamente. E, se esperança também houvesse com a vinda da filha para se tentar ver uma possível resolução para os problemas de Craw County…. Também isso não acontece.
   Encontramos neste volume uma extensa narrativa de presente e passado sobre a vida de Euless Boss, muito bem conseguida, mais uma vez, por Jason Aaron.
   Responsável pela morte de Earl Tubb, Coach Boss apresenta grande naturalidade pelo seu feito. Dando até a entender que as pessoas deveriam saber que foi ele, acreditando que se tornará mais temível e respeitável pelas pessoas.
   Ao longo deste álbum vamos poder perceber um pouco melhor o que leva este treinador a ter esta atitude e maneira de ser, evidentemente é uma criança marcada pelos maus tratos de seu pai. Criança essa, que não consegue perceber, nem de perto, nem de longe, o significado de infância, afecto, carinho ou educação. Como se não bastasse, sente também a forte aversão do seu treinador de futebol, que o marca, mas que acaba por trazer ao de cima a sua força e vontade de lutar pela sua paixão que acaba por se tornar o farol e fio condutor ao longo da sua vida.

   Somos confrontados com violentas cenas, que nem se podem chamar cenas familiares, mas sim, macabras cenas entre familiares. Neste caso, Pai e Filho. Convívio em ambientes degradantes, boémios, decadentes e moralmente inaceitáveis, bem como os maus tratos de que é vitima. Acaba por chegar à fala com alguém que o irá ajudar a dar a volta e adquirir o cocktail explosivo que fará dele um verdadeiro jogador de futebol. O Velho Big. A paixão pelo futebol aumenta da mesma forma que o ódio pelo seu Pai e pelas atitudes  e decadência que a vida dele vai levando. O odio é tal que leva Euless a fazer algo que irá mudar tudo para sempre, criando assim a imunidade moral para os seus actos ao longo da sua vida.
O desenho de Jason Latour tem um bom ritmo, variação e equilíbrio das vinhetas, das páginas inteiras e um momento de, meia dupla pagina bem conseguido. Articula bem as verticalidades e horizontalidades que ajuda no ritmo e dança visual. A cor tem um jogo interessante e demarca bem os momentos de passado e presente. Trás alguns momentos de memória do primeiro álbum que nos ajudam a não esquecer e dar uma continuidade à serie como o caso do cão que aparece na primeira página do vol. 1 e volta a aparecer por duas vezes na pagina 25 deste vol. 2.












   No  final deste volume, a série revela muito mais motivos para se querer acompanhar e  perceber o que mais irá acontecer deixando muita coisa em aberto, e muito haverá para se perceber e desenrolar.
   Continua um bom trabalho de encadernação e bom papel. 
   Southern Bastards, Vol. 2 – Sangue e Suor, mais um excelente trabalho de edição e distribuição com o selo G.Floy.