quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Alberto Uderzo, também um realista.


 
Conhecido pela sua criatividade, traço livre, cenários devidamente preenchidos,  equilibrados, muita cor, sátira, e bastante  humor.
Cocktail perfeito para a sua grande criação, Asterix.
De certa forma já tinha começado a experimentar a mesma fórmula em Luc Junior, embora um pouco mais realista no que toca a personagens, ambientes, uma época e contexto bem mais recente. 
Mas, Alberto Uderzo é um artista completo. 
Consegue um realismo profundo com um outro personagem, Bill Blanchart. 
Um equilíbrio perfeito dos pretos, criando uma profundidade e dimensão maravilhosa nas suas vinhetas. Curiosa a forma como por vezes leva algumas vinhetas à exaustão dos pretos, 


como em outros momentos quase que usa uma ligne claire, com grande luminosidade, criando pranchas com um ritmo e mancha gráfica perfeitas. 



Pegando nessa arte e juntando a uma outra grande paixão da sua vida, o automóvel, de que é grande colecionador, trouxe até nos verdadeiras obras de arte. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

MAUS!!




Talvez das obras mais marcantes que li nos últimos tempos.
Uma narrativa extremamente fluída, com momentos mais vertiginosos e outros mais calmos.
Uma obra que consegue quase, que na primeira pessoa, levar-nos a estar presentes em todo aquele inferno.
Artie Spiegelman, através de toda a informação recolhida consegue com grande impacto manter vivas e dinâmicas todas as memórias de seu Pai.
Vladek e Anja tal como milhares de famílias são envolvidos no holocausto de uma forma bárbara.
Art consegue, e muito bem, envolver-nos em toda a trama. Muito inteligentes e propositadas, as suas paragens pelos mais variados motivos, que nos tiram das memórias, e nos reporta para a atualidade para depois retomar. Muito bom todo esse entrelaçar de narrativas.
Um traço sempre coerente ao longo de todos os capítulos, que tiveram alguns anos de diferença desde o primeiro. Um traço sempre com o mesmo equilíbrio.
Umas vezes acelera, dando fortes vincos e cor no traço, com onomatopeias muito simples e eficazes.
Vinhetas em que quase sentimos o cheiro dos campos de concentração e a dor da fome....
Talvez por se tratar de relatos na primeira pessoa há uma noção muito clara dos sentimentos de todos.
A fragilidade da mãe Anja, obviamente muito marcada por todos os acontecimentos. O mau ambiente vivido em casa de Vladek com a sua segunda esposa a Mala. Mentalidades muito opostas com algumas desconfianças, mas que no fim percebem que não podem viver um sem o outro. Típico em vários casais. Ele, sempre desconfiado da honestidade e das verdadeiras intenções, e Mala, cansada de aturar os juízos, os desequilíbrios face aos orçamentos familiares e também da própria doença. Claramente efeitos da guerra.
Todos os enredos muito bem relatados de forma simples e completa, que nos conseguem dar uma ideia clara do dia-a-dia daquela família.
 O antropomorfismo tem um peso e conotação muito fortes, talvez seja até essa a grande arte nesta obra.
 A relação da imagem dos judeus como ratos, fracos e indefesos dos nazis como gatos, sempre em plena caça, dos americanos, cães valentes, pouco amistosos com os gatos...... Entre outros. Pedra de toque na obra. 
Maus é de leitura obrigatória. É das obras que quando acaba, nos incita a recomeçar, a conhecê-la melhor. Profundamente. A percorrer de novo, inquietos, os meandros da sua sombria beleza.
Obra que dá vontade de falar e expressar sentimento e obviamente,... de reler.


  • terça-feira, 22 de setembro de 2015

    Destino Adiado - Jean-Pierre Gibrat







     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
       
       Sul de França 1943, Cambeyrac, Aveyron. Pequena vila onde a guerra quase não chega. Onde tudo acontece de forma calma, quase metódica e ritual.
       Julien regressa, discreto, silencioso e cansado. Vem fugido da guerra ao encontro da paz e do calor da casa de Angèle, sua tia.
       Angèle é o seu porto de abrigo.
       Com receio de ser apanhado por uma rusga, Julien esconde-se na velha casa de Thomassin, antigo professor primário.
       Encontra tudo o que vai precisando para ter as comodidades e privilégios que um desertor ambiciona...
     
       Uma cama, livros, boas refeições preparadas pela tia, antigas recordações do professor, aquecimento.. (gentilmente preparado pela tia, sob o pretexto de dar aulas a alguns menos estudiosos, que precisavam de apoio adicional durante as férias do Natal. E assim estava disfarçado o fumo da chaminé que saia pela mesma coluna...) E não menos importante, não mesmo, conseguiu logo fazer um amigo.... Maginot!!
       A velha casa tinha vista para o largo da vila, onde se encontrava o Café das Tílias..

       Daquelas persianas fechadas Julien Sarlat tudo observava, pois tudo acontecia naquele largo.
       Ao fugir, Julien perdeu sua carteira, mais tarde encontrada após um bombardeamento ao comboio onde seguia.
       Ao ser encontrada, estava a ser dado como morto. Viu o seu funeral!!
       O ritual da vila era o seu dia-a-dia. Até que certo dia o Café das Tílias irradia um brilho diferente.
       É Cécile.
       O grande amor de Julien que ele imaginava longe.
       Era ela.
       Aos seus olhos mais bonita que sempre. Cécile sabia-o morto. Ele, observa-a de dia no café, e à noite, em casa, no quarto, na cama... Conhece cada curva do seu corpo. Sem o saber torna-se a sua mais lassa cortesã.
       Diariamente Julien acompanha todos os seus passos, encontros e rituais....
       Os dias passam e os acontecimentos sucedem-se, e é na noite de passagem de ano que Julien adormece num celeiro perto da casa da avó de Cécile.. Quando pensa que 1944 estava a ser o início de um mau ano.... É a manhã seguinte que trás a resposta....
       É Cécile que o encontra!!!! O espanto, a surpresa!! Julien não está morto, está ali, em frente a ela.... Mas, doente..
       O reencontro desperta tudo o resto.. Vivem momentos intensos.

       Cécile parte para Paris. Cada carta que Julien recebe é lida vezes sem conta. São tempos de saudade.. Ela regressa no verão. Volta a partir.

       Julien consegue documentos e parte para junto dela.  
       Apanha o comboio.... Mas não chega!!!.... Destino Adiado....

       O traço, a cor, os cenários o argumento, são misturados de uma forma que dá a toda a obra uma harmonia maravilhosa. 
       Pormenores marcantes. Pormenores de desenho, pormenores de argumento... Um conjunto maravilhoso, aliás muito ao estilo de Gibrat.
       Destino Adiado é uma obra que deixa marca. Entramos facilmente no dia-a-dia de Julien. Percebemos Julien e queremos que Julien tenha o que deseja. Destino Adiado cativa pela forma como a história cresce. Há sempre mais alguma coisa que acontece. Tal e qual os nossos dias! Tal e qual as nossas histórias. Tal qual as nossas vidas.
       A cor é deslumbrante,  a luz do verão, das paisagens, o negro do inverno, a neve.. As expressões dos personagens têm vida, transmitem emoções só por si.

       Quase sentimos o  cheiro e a frescura das trepadeiras ao longo das paredes da vila. O agradável odor do campo, o verde nas montanhas, o azul dos rios e lagos..
       O desenho tem movimento e equilíbrio. Cada vinheta parece um quadro e cada prancha uma galeria de arte.

     Destino Adiado... Não é certamente obra para adiar a leitura.

    terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


    4º ENCONTRO PERIPATÉTICO DE BD

    28 de Fevereiro de 2015

    Pequeno-almoço na Loja do Tintim e visita ao Salão do Brinquedo de Lisboa

     
     
     


     

     
     
     
     
     
    Mais um pretexto surge, e não se pode deixar escapar. Na verdade estes encontros tornam-nos mais ricos, amadurecem relações e tiram-nos, como muitas vezes digo,… de ambientes virtuais.

    Por motivos do Salão do Brinquedo de Lisboa 2015, por onde a Banda Desenhada tem presença imperativa pelas várias bancas de exposição, o grupo BD Passion tem o prazer de convidar os seus membros, e demais amigos, para mais um Encontro Peripatético.

    Sugerido por um dos membros do grupo, e muito bem, o encontro terá o seu inicio no Café Tintim pelas 11h. Local de culto, de ambiente próprio, ideal para uma tertúlia agradável e encontro entre amigos.

    Seguidamente, traçar azimute em direção ao Hotel Roma para visita do Salão do Brinquedo, que se ambiciona recheado e com aquela surpresa agradável de, no meio da confusão, cada um de nós, consiga encontrar aquele título que há muito procura…